segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Os palavrões da fé

Vivemos numa época em que, numa roda de conversa, falar palavras como "Deus", "Céu", "Inferno", "pecado", "alma", entre outras, causa certo constrangimento, um "clima" esquisito. Parece que falamos algo indecoroso, um palavrão.
E no entanto, nessa mesma roda, falar um palavrão de fato, ou piadas de cunho sexual, não causam nenhum escândalo. Pelo contrário, é algo visto como até desejado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A difícil lembrança do bem

Temos a triste tendência de lembrarmo-nos muito mais do mal do que do bem que nos é feito. O mal deixa como que cicatrizes em nossa alma. O bem deixa apenas uma lembrança elusiva, que aos poucos vai evanescendo de nossa mente, a ponto de o esquecermos por completo.

Para nos recordarmos do mal, não é preciso esforço. Uma simples menção ou alusão já o torna vívido em nossa consciência. Já para o bem, temos que fazer um constante esforço para trazer a lembrança à tona, meditar sobre ela, quase como que "forçar" a gratidão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Uma diferença fundamental entre o paganismo e o Cristianismo

Uma diferença fundamental entre o paganismo e o Cristianismo: para conseguir favores da divindade, os pagãos se banhavam de sangue; para obter graças da divindade, os cristãos se banham de lágrimas.

domingo, 29 de novembro de 2020

A feiura da cruz

A guerra, muitas vezes, se nos apresenta como algo heroico. Contemplamos os feitos dos veteranos e enchemo-nos de admiração. Mas quando entrevistados a respeito dos seus atos, esses mesmos soldados se mostram incomodados, quase constrangidos, e respondem de forma estupeficante coisas como: "Eu fiz o que tinha que fazer", "Eu tive sorte, outros morreram", entre outras.

Fica implícita não só uma louvável humildade, mas também a impressão de que eles não gostaram do que fizeram. Realmente não se sentem orgulhosos. Cumpriram uma missão, mas não encontraram gozo nisso. Talvez as memórias dos horrores da guerra escurecem em seu interior qualquer brilho que seu heroísmo possa gerar.

A cruz também é assim. De fora, muitos falam da cruz com louvores, com romantismo. Mas será que já a viveram de fato? A cruz, quando se apresenta, é como a guerra. É pesada, dura, cheia de farpas. Não é bonita. Não é heroica. Não inspira quem a carrega. Para aquele que a carrega, a cruz é apenas sofrimento, e sofrimento aparentemente sem sentido.

Antes que os cruzados desembainhem as suas espadas, permaneçam em seus cavalos e prestem atenção: sim, a cruz é redenção. Mas apenas DEPOIS da ressurreição. ENQUANTO se está carregando, para QUEM está carregando, como eu disse, é só dor, contínua, dilacerante, entremeada por breves momento de alívio. Um copo de água. Uma toalha para enxugar o rosto ensanguentado. Alguém que se apresenta para ajudar a carregar a cruz.

Sejamos, portanto, menos frívolos ao falar da cruz.

sábado, 28 de novembro de 2020

Obcecados pelo poder

Dizem que alguns generais de Hitler, veteranos das guerras precedentes, nutriam por ele um desprezo profundo. Eles eram representantes da aristocracia prussiana, um resquício de nobreza em meio a um mundo que, à velocidade da blitzkrieg, patrolava os antigos valores morais e os limites da guerra. Viam em Hitler um arrivista, um burguês obcecado pelo poder a qualquer custo.

Impossível não traçar um paralelo com Napoleão. Também um jovem ambicioso, oriundo das fileiras de soldados rasos, sua ascensão meteórica marca a queda do Ancien Régime e sua substituição por uma nova ordem. Sua ganância, assim como a de Hitler, o motiva a tomar a Europa de assalto e subjugar outros povos no processo.

Felizmente, ambos foram detidos em sua loucura, e também de forma semelhante, ao tentar conquistar a Rússia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A morte de Maradona

 A comoção em torno da morte de Maradona revela a perda das noções mínimas da doutrina cristã no homem contemporâneo.

Pra começar, essa atitude beirando a blasfêmia de chamar Maradona de Deus; mas isso até vá lá, podemos deixar passar como licença poética, fervor patriótico, paixão pelo futebol etc.

Porém, em cima disso, alguns repórteres conseguem a proeza de comentar pérolas como: "E um deus humano, né?" Como se Deus não se tivesse encarnado e se tornado, de fato, humano.

Que Deus - o verdadeiro e único Deus - o tenha, Diego Armando Maradona.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O trunfo do pensamento moderno

O trunfo do pensamento moderno, científico, cartesiano, é ao mesmo tempo, a sua desgraça. Bênção e maldição. Separar tudo em partes dá acesso a uma eficácia sem precedentes. Ataca-se um problema concreto, de forma isolada, com foco e ferocidade; porém, muitas vezes essa abordagem gera efeitos colaterais indesejados. Na medicina, cuja técnica evoluiu mais nos últimos 500 anos do que nos 5000 anteriores, isso se vê com muita clareza. Trata-se um câncer, mas no processo, muitas vezes o paciente morre junto ou fica seriamente debilitado.

Os palavrões da fé

Vivemos numa época em que, numa roda de conversa, falar palavras como "Deus", "Céu", "Inferno", "pecado&q...