quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A verdade sobre os escombros

A vida humana é constituída de experiências agradáveis e desagradáveis. Nenhuma dessas experiências dura indefinidamente. O prazer começa e termina, e o sofrimento também começa e termina. O animal experimenta a mesma coisa, porém não consegue captar que esses eventos começam e terminam, nem que se sucedem. Por isso o animal sempre busca o prazer e sempre foge do sofrimento. O ser humano muitas vezes faz a mesma coisa, porém há pelo menos três diferenças entre este e aquele com relação a isso.

Deus instilou na alma humana a capacidade de perceber que prazer e sofrimento tem duração limitada e se sucedem (inteligência), e também instilou na alma humana a capacidade de senhorio sobre esses efeitos (vontade). O ser humano é capaz, por exemplo, de deixar de comer quando está com fome, para guardar aquele alimento para mais adiante, ou de suportar a dor de um procedimento médico, visando a sua saúde no longo prazo.



Alguém poderá dizer que os animais também são capazes de fazer isso, como um cão que não come sua ração antes do dono permitir. Mas não é a mesma coisa. O cão ainda está agindo na lógica de buscar prazer e evitar sofrimento; apenas ele foi condicionado pelo ser humano, através de um sistema de punições e recompensas, para fazer o que aprouver ao dono. O cão não delibera sobre a sua ação, como faz o ser humano.



Deus também instilou na alma humana como que uma sensação de fundo, ora tênue, ora incisiva, que nos leva a imaginar como seria boa uma vida onde o prazer não terminasse, e como seria terrível, em contrapartida, uma vida onde, da mesma forma, o sofrimento jamais cessasse. A vida onde o prazer não termina é o Céu, e a vida onde o sofrimento não cessa é o Inferno. Eu diria que Deus, em Sua infinita sabedoria, colocou essa impressão na alma humana com o objetivo de nos fazer desejar o Céu e temer o Inferno. E a religião é a ponte que nos eleva da condição animal, de evitar dor e buscar prazer de forma cega e muitas vezes prejudicial, para a condição humana plena, racional, de domar nossos instintos, refrear nossas paixões, tendo em vista um bem maior. 



Infelizmente nossa época soterrou essa verdade milenar sob uma miríade de promessas falsas de prazer infinito aqui neste mundo; ao alcance de um clique, em um gole, em um corpo. Isso é na verdade uma prisão. Temos que rejeitar essa visão falsa e hedonista do ser humano e do mundo, e resgatar de debaixo dos escombros a verdade sobre quem somos e onde vivemos.

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