domingo, 10 de fevereiro de 2019

A verdadeira medida das coisas

Boa parte das discussões, seja sobre pessoas, seja sobre coisas, é limitada pelo horizonte de tempo dos participantes. Não me refiro à duração de suas vidas, mas sim à sua capacidade de enxergar os elementos sob uma perspectiva que vá além do momento presente ou quiçá da semana seguinte.

Por vezes, quanto mais longe nos colocamos com relação a um objeto, mais precisa é a nossa percepção. É o caso quando se discutem tópicos que nos despertam paixões. Mas isso não pode ser feito a partir da dimensão do espaço (eu nunca saí de mim mesmo, e você?). Isso precisa ser feito, portanto, a partir da dimensão do tempo.

Quando olhamos para o passado, conseguimos julgar nossas atitudes e ideias com maior lucidez, embora muitas vezes a memória nos falhe, e por isso eu recomendo o uso de um diário.

As pessoas discutem sobre tudo e sobre todos, e parece que não se perguntam: qual é a relevância que isso terá daqui a 100 anos? Ou daqui a 10 anos? Daqui a sequer um ano? Será que isso terá alguma importância? A maioria das discussões vira pó, como publicações de Facebook que você não clicou, ficaram lá pra cima na linha do tempo e agora você não encontra mais.

E no fim das contas, essa é a única medida que realmente importa, que é o horizonte da eternidade, o tempo de Deus. A visão que Deus tem sobre os acontecimentos.

Eu entendo que a maioria das pessoas não tenha a inclinação ou a disposição para refletir de forma mais profunda sobre o que quer que seja; isso é uma constante, e não há mal nenhum nisso - até certo ponto. Porque pelo menos o horizonte da sua própria morte deveria ser levado em conta, e isso as pessoas de até duas ou três gerações atrás o faziam.

Já faz algum tempo, a morte foi varrida - bem viva - para baixo do tapete. E os tempos contemporâneos, de redes sociais, notícias minuto a minuto, estímulos sensoriais alucinantes e déficit de atenção contribuem para que as pessoas fiquem presas ainda mais às impressões fugazes, cada vez mais fugazes do momento presente. E não é um momento presente bom, saudável, no sentido de "carpe diem, memento mori". Não, é quando muito somente "carpe diem", e olhe lá! - vide aquelas imagens que mostram as pessoas mais preocupadas em tirar fotos do show ou de si mesmas no show do que efetivamente curtindo o show! Estamos tão preocupados com o instante seguinte que o instante presente nos escapa fatidicamente.

Temos que nos lembrar da morte. Lembrar que somos finitos, vamos morrer e seremos julgados pela medida de tempo da eternidade.

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  A liberdade, o poder da escolha...motivo da glória e desgraça da condição humana.