sábado, 27 de abril de 2019

A profundidade metafísica das expressões verbais da piedade popular cristã

As expressões verbais da piedade popular cristã são mais profundas do que podem parecer à primeira vista. Por trás da sua aparente simplicidade, existem enunciados metafísicos da mais alta grandeza.

Qualquer pessoa que tenha vivido alguns anos neste mundo e não seja um completo maluco ou soberbo (há diferença?) sabe que existe uma infinidade de acontecimentos que escapam parcial e/ou completamente ao nosso controle, para o bem e/ou para o mal. O mundo pagão chama a esses fenômenos por uma porção de nomes distintos: sorte, azar, destino, fortuna, acaso, entre outros.

O cristão entende que tudo o que sucede ou deixa de suceder repousa sob o olhar infinito, onisciente e misericordioso de Deus. "Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados." (São Mateus 10, 29-30.) E a essa cadeia de eventos se dá o nome de divina Providência. Tudo o que acontece na vida humana é um encadeamento entre os desígnios de Deus e a nossa correspondência à Sua graça.

Por isso, há uma imensa sabedoria no dito popular "graças a Deus!" Por trás do que parece ser um simples agradecimento (como usado pela maioria das pessoas) existe profunda metafísica. De fato, tudo o que acontece ou deixa de acontecer é graças a Deus, isto é, tem sua origem última na causa das causas, na causa final (que é Deus).

O cético dirá que "graças a Deus" é um reducionismo primitivo que atribui à divindade a causa daquilo que não conseguimos explicar. Mas acontece que o erro do cético é não perceber que uma coisa não exclui a outra. Sim, existe um reducionismo, mas ele é meramente de classe sintática, não ontológica. A expressão "graças a Deus", assim como "Deus te abençoe", "vai com Deus", entre outras, encapsula uma série de pressupostos e enunciados que por questões de ordem prática evidentes, não vão ser pensadas ou ditas a todo momento. Devemos meditar essas coisas sempre que possível, no entanto.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Sobre a precariedade dos produtos e serviços

Na Antiguidade, o trabalho era feito por escravos. As Pirâmides do Egito, o Coliseu Romano, a Acrópole de Atenas e tantos outros monumentos foram construídos por pessoas que na verdade não queriam fazê-lo, mas o fizeram submetidos à força. Não é à toa que a origem da palavra "trabalho" é o "tripalium", um instrumento de tortura com três pontas de ferro.

Com o advento do Cristianismo, o trabalho passou a ser visto sob uma ótica completamente diferente. Trabalhar se tornou uma maneira de dar glória a Deus, de fazer o bem ao próximo, de se santificar. As grandes obras de arte, as catedrais góticas, o progresso da técnica, tudo isso foi feito não mais por escravos, mas por pessoas que enxergavam no seu esforço um sentido que ia para além deste mundo.

Com a progressiva neo-paganização da sociedade, Deus foi sendo esquecido, também no trabalho. Passou-se a trabalhar para o rei, depois para ser reconhecido pelos seus pares, depois para orgulho próprio, depois meramente para ganhar dinheiro, e por fim, chegamos ao ponto em que, especialmente no Brasil, trabalhar é para os trouxas - se pudermos evitar, melhor. É por causa desta mentalidade que cada vez mais percebemos os produtos e serviços como ruins, mal feitos, mal prestados etc. Falta amor na coisa, simples assim.

Seguindo esta lógica, o próximo passo é voltarmos à escravidão. Bem, poderíamos pensar que a acachapante carga tributária, que nos obriga a trabalhar metade de ano para sustentar o Estado, já se assemelha a uma forma disso. Se não quisermos que a coisa piore ainda mais, então temos que fazer o caminho contrário, uma engenharia reversa: de onde você estiver, suba um degrau na escada, e passe a trabalhar com afinco para ganhar dinheiro, para ter orgulho do seu trabalho, para ganhar o reconhecimento dos seus pares, e por fim, quem sabe, para louvar a Deus. Seja como for, trabalhe por e com amor.

As consequências trágicas do mau feminismo

Uma das maiores tragédias que o feminismo - ou o mau feminismo, pelo menos - trouxe ao mundo foi o estremecimento das relações entre os sexo...