segunda-feira, 8 de abril de 2019

Sobre a precariedade dos produtos e serviços

Na Antiguidade, o trabalho era feito por escravos. As Pirâmides do Egito, o Coliseu Romano, a Acrópole de Atenas e tantos outros monumentos foram construídos por pessoas que na verdade não queriam fazê-lo, mas o fizeram submetidos à força. Não é à toa que a origem da palavra "trabalho" é o "tripalium", um instrumento de tortura com três pontas de ferro.

Com o advento do Cristianismo, o trabalho passou a ser visto sob uma ótica completamente diferente. Trabalhar se tornou uma maneira de dar glória a Deus, de fazer o bem ao próximo, de se santificar. As grandes obras de arte, as catedrais góticas, o progresso da técnica, tudo isso foi feito não mais por escravos, mas por pessoas que enxergavam no seu esforço um sentido que ia para além deste mundo.

Com a progressiva neo-paganização da sociedade, Deus foi sendo esquecido, também no trabalho. Passou-se a trabalhar para o rei, depois para ser reconhecido pelos seus pares, depois para orgulho próprio, depois meramente para ganhar dinheiro, e por fim, chegamos ao ponto em que, especialmente no Brasil, trabalhar é para os trouxas - se pudermos evitar, melhor. É por causa desta mentalidade que cada vez mais percebemos os produtos e serviços como ruins, mal feitos, mal prestados etc. Falta amor na coisa, simples assim.

Seguindo esta lógica, o próximo passo é voltarmos à escravidão. Bem, poderíamos pensar que a acachapante carga tributária, que nos obriga a trabalhar metade de ano para sustentar o Estado, já se assemelha a uma forma disso. Se não quisermos que a coisa piore ainda mais, então temos que fazer o caminho contrário, uma engenharia reversa: de onde você estiver, suba um degrau na escada, e passe a trabalhar com afinco para ganhar dinheiro, para ter orgulho do seu trabalho, para ganhar o reconhecimento dos seus pares, e por fim, quem sabe, para louvar a Deus. Seja como for, trabalhe por e com amor.

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  A liberdade, o poder da escolha...motivo da glória e desgraça da condição humana.