domingo, 26 de maio de 2019

Na teoria a prática é outra

Os antigos diziam: "Na teoria a prática é outra". De fato, à medida que temos experiências e amadurecemos em nosso contato com o mundo real, certas ideias que nos parecem tão "redondinhas" nos livros acabam por se mostrarem falhas, ou mesmo um fracasso retumbante, quando postas à prova.

Alguns usam esse ditado para desmerecer a teoria, ou mesmo o estudo em geral, como se fosse uma atividade inútil, improdutiva. Mas o que acontece é que essas pessoas não entendem o que é uma teoria e para que ela serve. As teorias são modelos mentais, "recortes" da realidade, que servem para nos situar no cosmos. Elas são como mapas de um território - só que um mapa não é o território. E o próprio axioma "na teoria a prática é outra" é uma simplificação um pouco forçada do fenômeno, ou seja, outra teoria!

Mas em todo ditado há um fundo de verdade, certo? Neste caso, qual é? Veio-me à mente um exemplo. No livro "Pai Rico, Pai Pobre", há esse modelo chamado "Quadrante de fluxo de caixa":

Resultado de imagem para quadrante do fluxo de caixa

Isto é, as pessoas do lado esquerdo do quadrante trocam suas horas de trabalho por dinheiro, enquanto que as pessoas do lado direito do quadrante recebem dinheiro sem precisar trocar por horas (a não ser no início, quando estão montando o negócio/investimento).

Então quando eu entrei em contato com esse conceito, lá pelos 18 anos, me pareceu muito lógico e perfeito de que eu deveria querer estar no lado direito do quadrante. Porém na prática a coisa não é bem assim. Peguemos de exemplo um médico ou advogado. Segundo o quadrante, eles trocam suas horas por dinheiro, enquanto que um empresário e/ou investidor, faz o dinheiro trabalhar para ele. Em tese, o empresário e/ou investidor deveria atingir a riqueza ou independência financeira antes que o médico ou advogado. Só que no Brasil, na média, médicos e advogados ganham mais do que a maioria dos empresários. Assim, um médico ou advogado pode trabalhar muitas horas, cobrar caro e atingir a independência financeira bem antes do empresário/investidor. Este é um exemplo em caberia o axioma "na teoria a prática é outra".

Mas não é que a teoria esteja errada (ou pelo menos, totalmente errada). O médico e advogado, para atingir a independência financeira, também terão que pensar e agir como investidores, colocando o dinheiro que ganharam para trabalhar para eles. Portanto, o esquema do quadrante permanece válido. Porém, a aplicação do esquema está condicionada às circunstâncias particulares das pessoas, locais e épocas.

8 comentários:

  1. Realmente, mesmo um bom emprego em uma multinacional pode levar à independência financeira antes do pessoal que está no quadrante da direita.

    Também pode ter uma dificuldade de traduzir essa teoria para a situação específica do Brasil. Ser pequeno empresário ou profissional liberal em um país que vive entrando e saindo de ciclos de crises é outra história.

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  2. Independência financeira é uma miragem, atingida por uns poucos a partir da dependência de muitos. Pai Rico, Pai Pobre deve ser jogado no enorme lixão dos livros enganadores, tão comuns nos últimos séculos.

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    1. Anônimo, você está enganado: independência financeira não é uma miragem, e sim, depende de outras pessoas; mas como tudo na vida, e não sentido marxista, "opressor-oprimido", que você parece estar colocando.

      Eu conheço pessoas que a atingiram, e existe toda uma comunidade de blogueiros que relatam mensalmente sua trajetória em direção a isso. Alguns já atingiram, outros tantos estão lutando, e não é fácil pra ninguém.

      Não confunda realismo, ser pé no chão, com uma mentalidade pessimista, de fracasso.

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    2. Acho que você não entendeu o que escrevi. Repetindo, portanto: "Independência financeira é uma miragem, atingida por uns poucos a partir da dependência de muitos."

      Traduzindo para você, filósofo: Para que poucos possam ser independentes, muitos precisam ser dependentes.

      Robert Kyosaki estabeleceu sua independência financeira vendendo um sonho em forma de livro para milhões de dependentes, assim como T. Harv Eker e tantos outros "escritores" modernos. Alguns leitores até podem ter atingido a "independência" financeira (aspas porque ninguém é realmente independente, no fim das contas), mas são a exceção que confirma a regra exposta acima.

      Além de filosofia, você deveria estudar economia. Não há muito de marxismo no que eu disse mas, mesmo que haja, se rejeita uma observação de Marx simplesmente por ter vindo de Marx e não por seu valor factual ou não, você está caindo numa falácia. Acho que além de economia você deve estudar filosofia DE NOVO, parceiro.

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    3. Anônimo, vamos lá:

      À sua afirmação "Independência financeira é uma miragem, atingida por uns poucos a partir da dependência de muitos", eu respondi: "independência financeira não é uma miragem, e sim, depende de outras pessoas...Alguns já atingiram, outros tantos estão lutando, e não é fácil pra ninguém." - Por que você diz que eu não entendi o que você escreveu?

      "Robert Kyosaki estabeleceu sua independência financeira vendendo um sonho em forma de livro para milhões de dependentes" - Você pode PROVAR isso? Você pode PROVAR que Robert Kyosaki estava mentindo quando ele conta que já era financeiramente independente quando escreveu o primeiro livro?

      "Traduzindo para você, filósofo"
      "Além de filosofia, você deveria estudar economia."
      "Acho que além de economia você deve estudar filosofia DE NOVO, parceiro."

      Anônimo, você está de mal com a vida? Tem raiva de mim ou do que eu escrevi?

      "Alguns leitores até podem ter atingido a 'independência" financeira'" - Ah, então não é uma miragem?

      "aspas porque ninguém é realmente independente, no fim das contas" - Não foi o que eu disse no comentário anterior?

      "Não há muito de marxismo no que eu disse mas, mesmo que haja, se rejeita uma observação de Marx simplesmente por ter vindo de Marx e não por seu valor factual ou não, você está caindo numa falácia." Eu não rejeitei NENHUMA observação de Marx porque você não colocou NENHUMA observação de Marx. Eu rejeitei a SUA observação, que como eu disse, me PARECE estar viciada pela lógica "opressor-oprimido".

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    4. Há muita informação disponível sobre Kiyosaki, jogue o nome do cara no Google junto com "lies", "fraud" e outros termos relacionados.

      Mas por que eu tenho raiva de caras como Kiyosaki (e de outros que acreditam nele)? Tenho raiva porque EU mesmo já fui do ramo de autoajuda e conheço a dinâmica: é muito mais fácil ganhar dinheiro "ensinando" a ganhar dinheiro do que fazendo alguma outra coisa. Mesmo os caras que fazem dinheiro com empresas e investimentos várias vezes lucram muito mais quando publicam um livro (ou curso) sobre como ganhar dinheiro e ser como eles. O problema, Samuel, é que mesmo que o autor seja bem intencionado e queira que todos sejam ricos, o fato de revelar uma estratégia financeira para o público em geral a neutraliza quase que de imediato, ou seja, quando milhares ou milhões de pessoas começam a fazer a mesma coisa aquilo perde o poder ou pelo menos se torna muito mais difícil de realizar. E mesmo assim o autor vai ganhar dinheiro e fama vendendo algo que já saiu do forno obsoleto...

      Eu disse para você estudar economia porque nossa sociedade está hipnotizada e ignora um fator óbvio: dinheiro é escasso. Mas todos queremos ter milhões na poupança, imóveis e segurança. Então Kiyosakis da vida nos incentivam a entrar nessa corrida dos ratos ironicamente nos fazendo crer que somente os outros - aqueles que vivem para trabalhar - é que estão em uma corrida dos ratos!

      Você associou minha crítica a autores como Kiyosaki com fracasso, pessimismo e até marxismo. Não tem nada a ver com isso, é apenas a realidade. Não inventei a moeda, apenas entendi como ela funciona. Por isso acho muito mais viável ser um ratinho correndo para "armazenar tesouros no céu" do que para acumular riquezas temporais e instáveis como são estas que conhecemos.

      Mas repare que eu disse mais viável, não mais fácil. Seria mais fácil se houvesse companhia. Infelizmente a mentalidade moderna hipnotizou inclusive filósofos e cristãos...

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    5. Anônimo, a conversa está ficando muito longa para alguém que sequer se identifica. Se você quiser ajuda sobre como usar os ensinamentos do Robert Kiyosaki da maneira correta, manda um e-mail para mim em samuelkirschner@gmail.com. Prometo não lhe vender nada.

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    6. O que importa é se o que estou dizendo é lógico e factual, minha identidade é irrelevante. Mais uma vez você deveria saber, filósofo.

      Deixe a hipnose kiyosakiana de lado por um tempo e conheça uma história do dinheiro lendo o divertido Crash, do Alexandre Versignassi. Depois pule algumas etapas e leia The Quest, do Daniel Yergin. Um filósofo saberá construir a ponte.

      Adeus.

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