quinta-feira, 10 de setembro de 2020

O final do poema "If", de Rudyard Kipling, à luz do Evangelho


Meu poema favorito em língua inglesa é "If", de Rudyard Kipling. Desde que tomei conhecimento dele - através de uma história em quadrinhos do Flash (!), acho interessante comentar -, sempre me inspirou pela sua enunciação de belos valores, um ode ao triunfo do espírito humano sobre as adversidades da vida.

Em muitos aspectos, embora ele seja "oficialmente" uma evocação ao um certo estoicismo da era vitoriana, inevitavelmente ele também remete às virtudes cristãs. No entanto, só recentemente, nesse processo de avaliar e reavaliar tudo à luz do Evangelho, me dei conta de que o final dele é um tanto incômodo, sob esse aspecto.

"Tua é a terra com tudo o que existe no mundo", afirmação dirigida ao seu filho (bem como todo o poema), está em flagrante contraste com o Salmo 23, que nos diz, praticamente nos mesmos termos: "Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém". 

Ou seja, há uma inversão do eixo de protagonismo, de Deus para o homem, tão comum a partir da Modernidade. Quem sou eu para criticar Kipling, mas penso que ele poderia ter finalizado o poema de outra maneira. É um detalhe que estraga um pouco a obra do ponto de vista conceitual, mas não tira seus imensos méritos do ponto de vista literário, estético.

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