segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Uma diferença fundamental entre o paganismo e o Cristianismo

Uma diferença fundamental entre o paganismo e o Cristianismo: para conseguir favores da divindade, os pagãos se banhavam de sangue; para obter graças da divindade, os cristãos se banham de lágrimas.

domingo, 29 de novembro de 2020

A feiura da cruz

A guerra, muitas vezes, se nos apresenta como algo heroico. Contemplamos os feitos dos veteranos e enchemo-nos de admiração. Mas quando entrevistados a respeito dos seus atos, esses mesmos soldados se mostram incomodados, quase constrangidos, e respondem de forma estupeficante coisas como: "Eu fiz o que tinha que fazer", "Eu tive sorte, outros morreram", entre outras.

Fica implícita não só uma louvável humildade, mas também a impressão de que eles não gostaram do que fizeram. Realmente não se sentem orgulhosos. Cumpriram uma missão, mas não encontraram gozo nisso. Talvez as memórias dos horrores da guerra escurecem em seu interior qualquer brilho que seu heroísmo possa gerar.

A cruz também é assim. De fora, muitos falam da cruz com louvores, com romantismo. Mas será que já a viveram de fato? A cruz, quando se apresenta, é como a guerra. É pesada, dura, cheia de farpas. Não é bonita. Não é heroica. Não inspira quem a carrega. Para aquele que a carrega, a cruz é apenas sofrimento, e sofrimento aparentemente sem sentido.

Antes que os cruzados desembainhem as suas espadas, permaneçam em seus cavalos e prestem atenção: sim, a cruz é redenção. Mas apenas DEPOIS da ressurreição. ENQUANTO se está carregando, para QUEM está carregando, como eu disse, é só dor, contínua, dilacerante, entremeada por breves momento de alívio. Um copo de água. Uma toalha para enxugar o rosto ensanguentado. Alguém que se apresenta para ajudar a carregar a cruz.

Sejamos, portanto, menos frívolos ao falar da cruz.

sábado, 28 de novembro de 2020

Obcecados pelo poder

Dizem que alguns generais de Hitler, veteranos das guerras precedentes, nutriam por ele um desprezo profundo. Eles eram representantes da aristocracia prussiana, um resquício de nobreza em meio a um mundo que, à velocidade da blitzkrieg, patrolava os antigos valores morais e os limites da guerra. Viam em Hitler um arrivista, um burguês obcecado pelo poder a qualquer custo.

Impossível não traçar um paralelo com Napoleão. Também um jovem ambicioso, oriundo das fileiras de soldados rasos, sua ascensão meteórica marca a queda do Ancien Régime e sua substituição por uma nova ordem. Sua ganância, assim como a de Hitler, o motiva a tomar a Europa de assalto e subjugar outros povos no processo.

Felizmente, ambos foram detidos em sua loucura, e também de forma semelhante, ao tentar conquistar a Rússia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A morte de Maradona

 A comoção em torno da morte de Maradona revela a perda das noções mínimas da doutrina cristã no homem contemporâneo.

Pra começar, essa atitude beirando a blasfêmia de chamar Maradona de Deus; mas isso até vá lá, podemos deixar passar como licença poética, fervor patriótico, paixão pelo futebol etc.

Porém, em cima disso, alguns repórteres conseguem a proeza de comentar pérolas como: "E um deus humano, né?" Como se Deus não se tivesse encarnado e se tornado, de fato, humano.

Que Deus - o verdadeiro e único Deus - o tenha, Diego Armando Maradona.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O trunfo do pensamento moderno

O trunfo do pensamento moderno, científico, cartesiano, é ao mesmo tempo, a sua desgraça. Bênção e maldição. Separar tudo em partes dá acesso a uma eficácia sem precedentes. Ataca-se um problema concreto, de forma isolada, com foco e ferocidade; porém, muitas vezes essa abordagem gera efeitos colaterais indesejados. Na medicina, cuja técnica evoluiu mais nos últimos 500 anos do que nos 5000 anteriores, isso se vê com muita clareza. Trata-se um câncer, mas no processo, muitas vezes o paciente morre junto ou fica seriamente debilitado.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

A propaganda antes da Internet

 A propaganda antes da Internet era assim:

- Baixinho da marca de cerveja A
- Marca de cerveja B, a número 1
- Marca de cerveja C, desce redondo
- O cachorrinho da marca de amortecedores D

Slogans e humor. Isso aumentava as vendas? Alguma coisa, provavelmente sim, mas era difícil de medir. Ah, e 20 segundos no intervalo da novela custavam milhões de reais (ainda custam, aliás). Inviável para o pequeno e médio empresário, que então imprimia panfletos ou anunciava no jornal local.

Na Internet, com algumas centenas de reais, criamos uma campanha de anúncios no Google, instalamos um código (chamado tag ou pixel) no seu site e conseguimos saber até qual palavra seu cliente pesquisou quando comprou o seu produto.

Não tem comparação, não tem comparação. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Breve reflexão sobre a precariedade dos produtos e serviços

Na Antiguidade, o trabalho era feito por escravos. As Pirâmides do Egito, o Coliseu Romano, a Acrópole de Atenas e tantos outros monumentos foram construídos por pessoas que na verdade não queriam fazê-lo, mas o fizeram submetidos à força. Não é à toa que a origem da palavra "trabalho" é o "tripalium", um instrumento de tortura com três pontas de ferro.

Com o advento do Cristianismo, o trabalho passou a ser visto sob uma ótica completamente diferente. Trabalhar se tornou uma maneira de dar glória a Deus, de fazer o bem ao próximo, de se santificar. As grandes obras de arte, as catedrais góticas, o progresso da técnica, tudo isso foi feito não mais por escravos, mas por pessoas que enxergavam no seu esforço um sentido que ia para além deste mundo.

Com a progressiva neo-paganização da sociedade, Deus foi sendo esquecido, também no trabalho. Passou-se a trabalhar para o rei, depois para ser reconhecido pelos seus pares, depois para orgulho próprio, depois meramente para ganhar dinheiro, e por fim, chegamos ao ponto em que, especialmente no Brasil, trabalhar é para os trouxas - se pudermos evitar, melhor. É por causa desta mentalidade que cada vez mais percebemos os produtos e serviços como ruins, mal feitos, mal prestados etc. Falta amor na coisa, simples assim.

Seguindo esta lógica, o próximo passo é voltarmos à escravidão. Bem, poderíamos pensar que a acachapante carga tributária, que nos obriga a trabalhar metade de ano para sustentar o Estado, já se assemelha a uma forma disso. Se que não quisermos que a coisa piore ainda mais, então temos que fazer o caminho contrário, uma engenharia reversa: de onde você estiver, suba um degrau na escada, e passe a trabalhar com afinco para ganhar dinheiro, para ter orgulho do seu trabalho, para ganhar o reconhecimento dos seus pares, e por fim, quem sabe, para louvar a Deus. Seja como for, trabalhe por e com amor.

sábado, 21 de novembro de 2020

O maior invento do século XX

No final dos anos 90, início dos anos 2000, as revistas e programas de tv tinham essas reportagens e votações sobre "a maior invenção do século XX", e invariavelmente a televisão ganhava o primeiro lugar. Mas eu digo, negativo. O maior invento do século XX foi o computador pessoal. A Internet, o segundo, e talvez até o celular viria antes da tv, em terceiro lugar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Roma locuta, causa finita est

Maria Madalena viu o sepulcro vazio e procurou Pedro e João. Não encontrou Jesus e procurou os Apóstolos, procurou a Igreja. Contou o que viu. João e Pedro saíram correndo. João chegou antes, mas não entrou no túmulo. Esperou Pedro. Respeitou sua autoridade de Príncipe do Apóstolos. João, o teólogo, chegou antes. Sua agilidade faz seu passo mais solto, porém limitado à primazia de Pedro. A gravidade de Pedro o torna mais lento, porém seu testemunho é definitivo. Roma locuta, causa finita est.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Autorretratos diários

Antes da invenção da fotografia, as pessoas - pelo menos a maioria, que não tinha dinheiro para pagar um autorretrato pintado por um bom artista - contavam apenas com a própria memória para lembrar, muito vagamente, de como era a sua aparência quando mais jovens.

Hoje já vemos fotos nossas de todos os anos, registradas em nossas redes sociais e computadores, o que nos permite perceber o gradual envelhecimento de nossas carcaças. Isso talvez gere ansiedade em uma sociedade que valoriza tanto o novo, o jovem.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Breve crítica sobre "O Cavaleiro das Trevas"

Recentemente olhei mais uma vez o filme "O Cavaleiro das Trevas", do Christopher Nolan. É impressionante como esse filme é bom, ainda mais em comparação à leva mais recente de filmes de super-heróis. 

Há nele um realismo que não se encontra em outros filmes, inclusive nas cenas de luta. As brigas são realistas, com o Batman tomando umas porradas sinceras aqui e ali, e dando golpes que não se parecem apenas com coreografias bem ensaiadas. 

A história é um drama de primeira qualidade, não apenas um veículo para efeitos especiais. 

É uma pena que o mercado cinematográfico decidiu ir em outra direção, talvez porque o público atual não queira saber de filmes de super-heróis mais adultos.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

A experiência de Deus

Os santos tiveram em vida uma experiência de Deus que eu ainda não tive. Isso tornava o apostolado deles muito fecundo. Eles falavam do que viviam, e isso confere muita força às palavras. As pessoas que conviviam com eles sempre descrevem algo assim, que quase podiam “tocar” a santidade, que percebiam Deus de maneira muito presente naquele homem ou mulher.

A minha experiência de Deus é ínfima. É 90% crença, abstração, 10% experiência real. Quase tudo o que eu falo é “repeteco” da doutrina da Igreja. Por isso meu apostolado é sofrido, pouco fecundo. Claro que isso também está dentro do plano de Deus. Sou um instrumento em processo de aperfeiçoamento, uma pedra bruta que está sendo lapidada para se tornar uma joia. Mas – ironicamente – essa mesma descrição que eu acabei de fazer não é minha, eu a ouvi em outro lugar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Dicas de produtividade dos santos

Qualquer dica de produtividade que alguém possa precisar já se encontra condensada na vida dos santos e nos seus ensinamentos. 

É claro que toda essa literatura de autoajuda apresenta as coisas a um público maior, que na maioria dos casos jamais se prestaria a uma leitura espiritual, seja por preconceito, seja por mera ignorância. Mas em geral, não apresentam novidades.

Por exemplo, o livro "A única coisa" (https://amzn.to/2H8MhGN), de Gary Keller, que fala de como devemos focar em uma tarefa de cada vez até terminá-la. Lembra muito o ponto 815 do livro "Caminho" (https://amzn.to/31hhcaB), de São Josemaria Escrivá: "Queres de verdade ser santo? - Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes."

Ou o conceito da Marcha das 20 milhas, que está no livro "Vencedoras por opção" (https://amzn.to/2HhwTHD), de Jim Collins, que diz que ações não tão expressivas, mas constantes, geram melhores resultados do que grandes esforços espaçados, sem consistência. De certo modo, é o que nos diz o ponto 983, também de "Caminho": "Começar é de todos; perseverar, de santos.".

domingo, 15 de novembro de 2020

Conhecer a realidade é conhecer uma parte da mente de Deus

De certo modo, conhecer a realidade é conhecer uma parte da mente de Deus. Ele criou isso aqui tudo. Ele quis criar, dessa forma, desse jeito. Que alegria é poder estudar e conhecer as coisas que Ele criou. Obrigado, Senhor.

sábado, 14 de novembro de 2020

O antimarketing do Evangelho

Sob certos aspectos, o Evangelho é o antimarketing. No marketing, aquilo que é percebido como escasso é mais valioso. Ora, a salvação que Deus nos traz em Cristo é de graça e para todos. É só querer. Não que seja fácil - não é - mas é só querer. Todavia, ainda que seja de fato a coisa mais valiosa do mundo, ela é percebida pela maioria das pessoas como de pouco valor.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Como algo tão inusitado poderia ser invenção humana?

Há passagens da Bíblia tão incríveis, tão "fora da caixa", que eu acho mesmo impossível de que elas tenham sido inventadas por homens.

Tomemos por exemplo a passagem da revelação de Deus a Moisés na sarça ardente. Os antigos tinham por costume nomear os seus deuses: Zeus, Apolo, Thor, Odin. Com os antigos hebreus não era diferente. Quando Moisés se vê diante de uma divindade - na verdade, A divindade, a ÚNICA divindade, mas ele ainda não tinha plena noção disso - ele Lhe pergunta: "Qual é o seu nome?" 

E Deus, O Deus, o único Deus, lhe responde: "Eu sou aquele que sou". Hein?! Um deus que não responde com um nome qualquer, mas com uma frase enigmática dessas? É porque Deus é o ser absoluto, o sujeito puro, do qual todos nós somos apenas predicados. Eu sou....Samuel...você é....fulano, mas Deus simplesmente... "é", sem predicado.

Deus é o próprio princípio de identidade que seria formulado por Aristóteles séculos depois, na Grécia: A=A.

E mais, Ele ainda instrui Moisés a dizer exatamente isso aos israelitas: "Aquele que se chama ‘Eu sou’ envia-me junto de vós”.

Como algo tão inusitado poderia ser invenção humana?

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Nem tudo é tão massificado em nossa sociedade atual

Nem tudo é tão massificado em nossa sociedade atual. 

Por exemplo, quando éramos crianças, não fazia muito sentido perguntar: tu assiste He-Man? Ora, TODO MUNDO que tinha tv assistia He-Man. E todos os demais desenhos que passavam na Globo ou SBT.

Hoje, nem todo mundo assiste os mesmos seriados da Netflix (ou outro serviço de streaming). Temos que perguntar, temos que indicar nossas séries favoritas para os amigos.

Então, nesse ponto, parece que melhoramos, temos mais opções. Ainda é massificado, sim, mas tem muito mais variedade, para vários gostos distintos.

Por enquanto, acho que isso ainda se restringe a essa bolha da Internet da classe média. O "povão" ainda assiste novela e Faustão. Mas que bom que já existem alternativas.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A irreversibilidade do Inferno

 Assistindo a um filme sobre Santa Edith Stein, e vendo pela centésima vez o mal que os nazistas fizeram, me veio novamente aquele sentimento de revolta diante da injustiça atroz.

E em seguida imaginei que aqueles homens podem estar no Inferno, sofrendo as penas eternas por todos os seus pecados. Então eu me dei conta de que a vingança tem prazo de validade.
Imagine que o seu pior inimigo, alguém que lhe fez muito mal, fosse para o Inferno. Talvez, por algum tempo, você se sentisse satisfeito, como que vingado por Deus. Mas e depois? Esse sentimento também passa. E o sujeito vai ficar lá, sofrendo, POR TODA A ETERNIDADE.
Eu imagino que depois de um tempo, a satisfação da vingança se transmuta em pena diante dessa realidade terrível, da escolha cristalizada para todo o sempre, sem possibilidade de redenção.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O dado bruto da realidade

O dado bruto da realidade, o dado pelo dado, não faz sentido em si mesmo. O dado precisa que uma inteligência se imponha sobre ele para lhe conferir sentido. 

Mas isso não quer dizer que a realidade seja subjetiva, que dependa da consciência, ou que seja uma projeção dessa, não.

Quer dizer que existe uma relação entre o dado bruto e o sentido que depende de uma inteligência para fazer esta conexão.

domingo, 8 de novembro de 2020

O julgamento próprio, dos outros e de Deus

Não somos objetivos ao nos julgarmos a nós mesmos. Mas os outros tampouco o são. Podem nos medir segundo as aparências exteriores, segundo critérios determinados, mas só Deus sabe se estamos dando ou não o nosso melhor. Nem nós mesmos o sabemos, porque às vezes Deus permite que nos pareça que estamos andando para trás para que sejamos humildes e nos fiemos d’Ele.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

A Rima do Velho Marinheiro


No meio dos anos 80, quando o padrão da música pop eram músicas dançantes, carregadas de efeitos eletrônicos, de artistas como Madonna e Prince, e que mesmo as bandas de rock e heavy metal baixavam seu nível de crueza e complexidade para se adaptar ao gosto mediano, o Iron Maiden estava adaptando poemas do século XVIII em músicas com quase 15 minutos de duração.

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Imagens arquetípicas

 


Eu assisti um filme, cujo nome não vem caso, porque poderia ser qualquer um, onde havia uma mulher velha.

Essa mulher me lembrava alguém que eu não sabia ao certo quem era. É claro que de pronto pensei nas minhas avós, mas a imagem a que a velha me remetia não era somente a das minhas avós, era mais do que as minhas avós. A velha me fazia lembrar de todas as mulheres velhas do mundo.

Não sei se foi essa a real intenção do diretor ao elencar aquela atriz, mas se foi, sucedeu maravilhosamente.

domingo, 1 de novembro de 2020

A proporção das realizações humanas


Sempre que você achar que já fez grandes coisas na vida, se lembre de que Michelangelo esculpiu a "Pietá" com apenas 24 anos, e de que Pergolesi compôs "Stabat Mater" com apenas 26 anos - e sofrendo de tuberculose.

 

Os palavrões da fé

Vivemos numa época em que, numa roda de conversa, falar palavras como "Deus", "Céu", "Inferno", "pecado&q...